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A desvalorização do cinema brasileiro


Por Sarah Roque/ Redação UPES


O cinema brasileiro tem início em 1896, com sua primeira exibição realizada em Petrópolis, no Rio de Janeiro. A primeira produção brasileira foi o curta-metragem Vista da Baía de Guanabara, realizado por Afonso Segreto.


Uma década depois, os cinemas se difundiram mais no Brasil, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro. Os donos das salas de cinema realizavam suas próprias produções com equipes locais, porém, os filmes estrangeiros sempre ganhavam mais palco. Nessa época, o Brasil teve produções cinematográficas muito importantes, como por exemplo O Crime da Mala, de Francisco Serrador, Alô, Alô, Carnaval, de Ademar Gonzaga, que lançou a artista Carmem Miranda à fama, Matar ou Correr, de Carlos Manga, dentre diversos outros clássicos.


Após o Golpe Militar de 64, o cinema se tornou uma ferramenta de manifestação. Temos como exemplo, Glauber Rocha em Terra em Transe (1967), que faz uma crítica ao governo da época. A ditadura foi um evento que dificultou o crescimento do cinema brasileiro, falindo muitos estúdios que não tinham mais dinheiro para financiar suas produções.


Então, vem a “Era da Retomada”, com a criação da Globo filmes o cinema brasileiro se torna internacional. Esse momento da história traz títulos como Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, Carandiru, de Hector Babenco e Central do Brasil, de Walter Salles. Filmes que elencaram o Brasil a críticas especializadas e ampliaram sua audiência.


Cidade de Deus é considerado o filme latino americano mais importante nos últimos 20 anos. Central do Brasil ganhou o Leão de Ouro no Festival de Berlim, e foi levado ao Oscar, com a indicação de Fernanda Montenegro como a melhor atriz. Apesar de todo esse histórico, o cinema nacional ainda é taxado como ruim, impopular, tedioso. Entramos então na discussão do porquê isso acontece.


O cinema popular não tem o incentivo que deveria para continuar suas produções de maneira satisfatória. O Brasil possui obras notórias e de tremenda importância e mesmo assim, continua sendo desconhecido por uma grande parte da população. Um dos motivos pelo qual essa situação ocorre é porque ao pensar no cinema, somos levados diretamente aos filmes realizados em grandes estúdios, essa situação torna-se perceptível quando vamos ao cinema e a maioria dos filmes que vemos em cartaz são estrangeiros.


Também podemos observar a falta de incentivo vindo diretamente do nosso próprio governo. Durante uma coletiva, o atual presidente brasileiro fez um pronunciamento dizendo que se a Ancine não tiver filtros, ele pretende acabar com o órgão. A partir dessa declaração devemos esclarecer que a Ancine tem a função de regular e fiscalizar as produções audiovisuais e não financiá-las. Já no quesito “filtros”, eles existem. As faixa etárias servem justamente para filtrar o público que as produções devem atingir, porém esses “filtros” usados no sentido de determinar qual tipo de filme deve ser produzido, qual deve ser o seu conteúdo, é chamado de censura.


O cinema brasileiro, assim como qualquer outro mercado, precisa se manter para ser produzido, divulgado e distribuído. Esse é o papel que o governo deve exercer sobre ele, cumprindo sua parte com a Lei Rouanet. Pela falta de investimento, os filmes não tem sua devida divulgação e muitas vezes a indústria audiovisual nem sabe de sua existência. É válido frisar que o cinema nacional, ao contrário do que muitos pensam, movimenta sim a economia nacional. Segundo dados da Ancine, em 2014 o setor rendeu 24 bilhões de reais.


Nós devemos dar importância para o cinema brasileiro, pois aqui temos ótimos filmes que fazem crítica a muitas situações vivenciadas em nosso país, filmes que estimulam a reflexão. O cinema brasileiro precisa ser valorizado.


Sobre a autora: Sarah Roque é estudante do curso técnico em informática no IFPR Campus Avançado Barracão. Gosta de debater assuntos como política, religião, saúde. Adora conversar sobre livros, músicas, filmes e arte. Instagram: sarahhroque

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