• Redação UPES

FELIZ DIA DOS PROFESSORES?



Há um certo incômodo ao refletirmos sobre o dia 15 de outubro, uma vez que analisando as circunstâncias que permeiam essa profissão nos frustramos com as condições que são concedidas. Em 1963 foi decretado que nesta data homenageariam aqueles que dedicam sua vida a essa profissão tão linda e importante em todos os aspectos, embora, tão desvalorizada em nosso país.


Quem decide dedicar sua vida à arte de ensinar, muitas vezes em seus primeiros passos para a formação, precisa encarar comentários que desmotivam ou até mesmo diminuem sua profissão diante de formações consideradas “mais importantes” pela elite da sociedade. A desvalorização da carreira docente não é novidade no cenário do país, seja no quesito remuneração ou em relação às más condições de trabalho as quais alimentam uma preocupante inversão de valores. Enquanto nossos políticos recebem cotas e mais cotas de auxílio à suas atividades parlamentares, moradia, assinatura de periódicos e outras tantas, nossos professores não tem garantia se quer de internet na escola em uma sociedade que se diz tecnológica.


Salas de aulas lotadas, falta de materiais didáticos, remunerações baixas e outros problemas alarmantes são encontrados pela carreira dos docentes na educação pública, embora esses sejam personagens de lutas árduas e justas em nossas histórias. São esses protagonistas de muitas narrativas históricas, uma vez que toda mudança causada na sociedade começa pelo conhecimento, e o conhecimento por aquele que conduz. Como disse o patrono da educação: “Ninguém caminha sem aprender a caminhar, sem aprender a fazer o caminho caminhando, refazendo e retocando o sonho pelo qual se pôs a caminhar.”

(PAULO FREIRE, 1997, p. 155).

É lamentável que embora a importância do papel docente e de tudo que realiza para com a sociedade seja muito clara, precisamos ainda brigar e lutar contra a retirada de direitos dessa classe. O impacto que um professor tem na vida de um estudante é enorme, pois é ele quem apresenta as portas para o mundo através da alfabetização e dá asas para que alcem vôo na compreensão do mundo por meio do conhecimento. Entretanto, o foco das instituições governamentais nunca foi investir na educação e em melhorias para essa área, dado que o retorno não é imediato como construir um estádio de futebol.

Levando em consideração que apenas 4,5% das escolas públicas do país têm todos os itens de infraestrutura previstos em lei, no Plano Nacional de Educação (PNE), de acordo com levantamento feito pelo movimento Todos pela Educação, os docentes precisam trabalhar em más condições e ainda prestar outros papéis que vão além da sua função como educadores. Muitas vezes, os mesmos fazem o papel de mãe, pai, psicólogos ou o que tiverem em seu alcance, apesar que em sua maioria não sejam preparados e formados psicologicamente para estas tarefas. Na contramão disso, não poderia deixar de voltar atenção para o projeto de lei vetado integralmente pelo presidente Jair Bolsonaro que obrigava escolas públicas a contar com profissionais de psicologia e de assistência social, mostrando mais uma vez descaso com a educação pública e com a saúde dos estudantes brasileiros.

E por mais, quero homenagear aqui aquela que me trouxe ao mundo e me inspira na luta por uma educação pública, gratuita e humanizadora. Essa, que acompanhei por incontáveis vezes preparar aulas, dormindo tarde e tomando as dores de seus estudantes, sendo o meu maior exemplo para que entenda que hoje é um dia de luta pela melhoria na educação. E por fim, saudar a todo professor e professora que dedica sua vida a esse processo tão lindo que é o ensinar, sendo assim, responsáveis pela esperança que carregamos de um futuro melhor.


Por Luiza Guimarães- Diretora da UPES, presidente da UMES - Telêmaco Borba e estudante do IFPR.


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