• Redação UPES

Prova Paraná : quais são os limites para obter resultados.

Governo no Estado, coage alunos, professores e ameaça instuições que não apresentam bons resultados na Prova Paraná.

Na próxima quarta-feira (27), será realizada a quarta e última etapa da Prova Paraná 2019. De acordo com Secretaria da Educação e Esportes (Seed), 430 mil alunos do Ensino Básico, Ensino Médio e da Educação para Jovens e Adultos (EJA), realizarão a prova nos 399 municipios do Estado. O objtivo da Prova Paraná é testar o nível de apropriação dos conteúdos e habilidades considerados essenciais para cada etapa do ensino. Ainda segund a Seed, a avaliação é o principal instrumento para adequar os estudantes para as exigências da Prova Brasil e para o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA). O problema é que embora a Seed não admita, a prova cria comparações entre escolas, professores e turmas e gerando um modelo vertical de responsabilização, ou seja, culpalização de alunos e professores considerando unicamente os resultados da prova e ignorando todos outros contextos e competências envolvidas e gerando sistemas de bonificação exclusivos para escolas, educadores e alunos que obtiveram bons resultados.

Em janeiro deste ano, o governador Carlos Massa Ratinho Junior e o o Secretário de Estado da Educação, Renato Feder, realizaram uma homenagem às escolas estaduais que alcançaram as melhores notas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) em 2017. Durante a homenagem o secretário anunciou a implementação da Prova Paraná. "Em março as escolas do Paraná devem receber as primeiras avaliações. A partir disso, os professores terão uma visão geral sobre quais habilidades a escola deve focar. " explica Feder. Foi a partir dessa homenagem e que a pressão sobre as escolas e alunos para adesão e obetenção de boas notas começou a acontencer em todo o Estado.

Na Escola Estadual Marechal Costa e Silva, em Cidade Gaúcha, a presidenta da União Municipal de Estudantes Secundaristas da Cidades Gaúcha (UMESCG), Geonana da Silva relata que logo após os resultados da primeira etapa houve a exposição das notas e constrangimento dos alunos. " A direção colou mural na sala com os resultados e estava destacado os cinco piores alunos. A pedagoga passava nas salas e dizia o nome do aluno e perguntava quem é "tal pessoa" que tirou dois em matemática". diz Geovana. Ainda de acordo com a estudante, os professores passavam folham com a listagem de notas e os piores resultados tinham a observação "requer atenção" ao lado dos nomes. Uma das alunas que estava com a observação ao lado de seu nome diz que se sentiu muito contrangida com a situação. "Eles podiam ter me chamado individualmente e não e exposto desse jeito". diz a estudante.

Situação semelhante acontece na capital. Uma estudante da rede estadual de Curitiba. A aluna conta que em seu colégio os três melhores resultados de cada turma ganharam um certificado e os dois melhores do colégio ganharam uma cesta com chocolates e ingressos para o cinema. " E os cinco piores foram para um mural identificado como "os cinco com menor rendimento". E com um recado assim "se esforcem e estudem para serem reconhecidos como os seus colegas". relata a estdante. Ainda segundo a estudante, a direção deu um ponto para quem estivesse presente para realizar a prova e um décimo para cada questão acertada. " E quem nãoa tingiu 1,3 pontos foi obigada a fazer a recuperação mesmo estando com notas nas provas normais". explica a estudante. Em Fazenda Rio Grande, a presidenta da União Fazendense de Estudantes Secundaristas e estudante do terceiro ano do Colégio Estadual Dr. Décio Dossi, Erika da Silva Nogueira diz que logo após o resultado a da primeir etapa os professores e diretores compararam as turmas e desmotivaram os alunos. "essa semana o direitor entrou na nossa sala e chamou todos de de inúteis e incompetentes, também falou que todos eram retrato do virou o ensino e ninguém teria sequer a capacidade de entrar no ensino superior. Erika frisa que a maior preocupação dos alunos é o Enem e os vestibulares e como o conteúdo não era simular ao estudado durante o ano.

Em Francisco Beltrão , a estudante do Colégio Estadual Professor Vicente de Carli e direitora regional de grêmios da União Parananese dos Estudantes (UPES), relata que a rotina da escola mudou totalmente em função das prova. " Nós fazíamos simulados para ir bem na prova parana, temos 3 aulas de matemática semanais, e duas era pra simulado". Ainda de acordo com a direitora de grêmios toda a região prescinou os alunos para realizar a prova. " A pedagoga ligou para eu ir fazer a Prova Paraná, porque eu estava atrasada para primeira aula.Nos dias normais elas não ligam". diz a estudante.

Para doutora em educação com enfase em políticas educacionais e ensino médio, Mônica Ribeiro explica que o Governo do Estado afirma que as provas são necessárias para melhorar a qualidade do ensino, quando existem outras maneiras mais eficiente de melhorar a qualidade da educação pública " o dignóstico da escolas realizados pelo projeto político pedagógico, as avaliações que os professores já fazem e formação continuada de professores. A mensagem que a Prova Paraná passa aos estudantes é que escola existe para fazer prova, quando a escola existe para muitas outras coisas, como o aprendizado, formação crítica e intelectual, pensar a vida entre tantas outras funções." Explica a professora. Ainda de acordo com a doutora em educação outro fator limitante da Prova Paraná são os descritores que serão avaliados. " Ao dizer quais serão os descritores avaliados, a Prova Paraná induz a escola a ensinar os descritores, deixando de lado outras coisas que são relevantes e estão no planejamento curricular do professor". diz Mônica Ribeiro. Outro problema descrito pela professora são os resultados." O governo fala muito rapidamente sobre os resultados, não é porque um estudante foi mal nessa prova que ele não saiba outras coisas, o resultado da prova só diz sobre os descritores. Essas provas acabam se tornando estratégias de controle sobre as escolas, controle sobre como os estudantes devem pensar, como devem se comportar". avalia a professora.

Para o professor Hermes Leão, presidente do Sindicato do Trabalhadores da Educação Pública do Paraná (APP- Sindicato) a Prova Paraná segue uma lógica concorrencial, de exaltação do indivualismo e não corresponde a ética da educação. " Entendemos que escola deve ser o espaço sujeito coletivo, do trabalho coletivo e não do estimulo rankiamento, essa lógica é da meritocracia empresarial e não garante uma educação de qualidade". diz o professor.

Wellington Tiago, presidente da UPES, frisa como os estudantes são prejudicados pela pressão execida pelas diretorias e corpo docente " Muitos estudantes tiveram o ano letivo sem boas notas, com difulculdade escolar e com a Prova Paraná, muitos professores realizam chantagens ameaçando esse aluno já fragilizado". explica o presidente. Lorraine Araes, mestre em educação e professora da Rede Estadual na cidade de Rio Negro, explica que mesmo após as quatro estapas da prova o Governo do Paraná não tem dimensão sobre os acertos e problemas da educação pública do estado. " A Prova Paraná dimensiona apenas algumas áreas do conhecimento, tira a autonomia das escolas e professores, não levam em conta os contextos de desigualdades e saberes regionais e principalmente tira a rotina da escola a partir da chantegem e do medo". afirma a educadora. Segundo Araes a melhor maneira de melhorar os indicadores da educação é dando liberdade aos professores e respeitando todas as estapas do ensino. " Não é justo com os professores que precisam adaptar seus conteúdos e suas próprias avaliações para não reprovar alunos e não é justo com os alunos que ficam refém dessa prova que não está alinhada ao conteúdo praticado em sala de aula. A pressão para que os alunos repressentem suas escolas e para que os professores apresentem resultados é uma estratégia de mercado, não de educação" afirma Lorraine.

Para Giovana Beatriz Belbet, estudante do Colégio Estadual Timbu Velho em Campina Grande Do Sul e diretora Regional Metropolitana da UPES, alerta os estudantes secundaristas do Estado para a ações da UPES. "Não se enganem pensando que a prova avalia nosso desempenho e tudo o que adquirimos ao passar dos anos, essa prova nos usa como massa de manobra para aumentar os índices de desenvolvimento da educação básica (IDEB), nós somos mais do que eles pensam e nosso conhecimento não cabe em suas folhas discriminativas! Dia 27 é dia de mostrar à todos do que somos feitos, é dia de boicote. " alerta a estudante.

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