• Redação UPES

Prova Paraná: uma falsa realidade das escolas paranaenses

Atualizado: 24 de Set de 2019

Um instrumento de padronização, meritocracia e coação de professores e alunos


Imagem: Agência de Notícias do Estado - Paraná

A Prova Paraná, é uma avaliação desenvolvida pela Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (SEED), o objetivo do teste é mostrar o nível de apropriação dos conteúdos e habilidades consideradas essenciais para cada etapa de ensino. Aplicada para as turmas de 5°, 6°, 7º e 9° anos do Ensino Fundamental e também para 1°, 2º e 3° anos do Ensino Médio. O teste acontece em 398 municípios, atingindo todo estado exceto Curitiba que já possui uma avaliação própria, atinge cerca de 1 milhão de alunos nas redes estaduais e 250 mil nas redes municipais de ensino. A Prova Paraná acontece em três etapas, sempre no início de cada bimestre, aconteceram em março e junho e a última etapa acontecerá dia 24 de setembro. De acordo com a SEED, a Prova Paraná é o principal instrumento para adequar os estudantes para as exigências da Prova Brasil e para o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA). Sistema nacional e internacional de medição da aprendizagem de escolas públicas e particulares. Segundo o documento “Manifesto por uma EDUCAÇÃO HUMANIZADORA contra o projeto de governo do Paraná de mercantilização” emitido pela Associação de Professores do Paraná (APP- Sindicato), esses testes servem para um ranqueamento das escolas e culpabilização dos professores pelos resultados e privilegiam áreas do conhecimento em detrimento de outras. O professor Hermes Leão, presidente da APP- Sindicado explica que a Prova Paraná é um método classificatório, meritocrático e por isso excludente. “Uma avaliação real das escolas precisa levar em consideração os contextos de aprendizagem, a relação dos Estudantes com o conhecimento, o dialogo da avaliação com o projeto político pedagógico”. Afirma Hermes Leão. Para a pedagoga professora doutora Alice Kreiz, a Prova Paraná representa um método arcaico e totalmente distante da função da escola pública. “A Prova Paraná é somente um exame, não uma avaliação, o exame só serve para medir alunos e professores, já avaliação é um diagnóstico e reorientação da aprendizagem, exige acompanhamento da situação dos estudantes, professores e escola, avaliação inclui, exame exclui”. Explica a professora. Alice ainda explica que a função da escola pública é possibilitar o acesso a emancipação humana e transformação social por meio da transmissão de conhecimentos sistematizados pela humanidade. “Os currículos escolares devem levar em consideração a diversidade da humana e trabalhar os conteúdos para que os alunos caminhem para igualdade social, respeito à natureza e respeitos a diferença. Isso não ocorrerá enquanto os governos considerarem alunos como números e escolas passíveis de mercantilização”. Afirma a pedagoga. O presidente da APP- sindicato afirma a categoria de professores estaduais historicamente se posiciona contra processos de padronizações em larga e escala e que o tempo dedicado ao processo da avaliação desde sua preparação até a execução poderia ser mais bem aproveitados pelos docentes. Conclui a professora. Ana Caroline de Lara Zinermann, aluna do 3° ano da escola estadual Hasdrubal Bellegard, diz que nas duas etapas da prova foram muito rápidas “Não houve preparação para as provas, então todo mundo chutou tudo para sair cedo”. Ana ainda conta que mesmo com o incentivo de um ponto na média para os alunos que realizarem a Prova Paraná, há pouca aderência dos alunos no teste. “Eu fiz as duas etapas da prova e não mudou na minha vida, não me sinto mais preparada para realizar provas”. Afirma a estudante. A professora Claudia Antonia Costa Pilon, da escola estadual Eurides Brandão, reforça o caráter de ranqueamento da Prova Paraná “Há premiações para professores e escolas cujas turmas obtiveram melhores resultados, o que é injusto com as escolas da periferia que não concorrem nas mesmas condições que as escolas centrais”. A professora ainda reforça que se o investimento for direcionado para projetos para alunos como coral, esportes, visitas a museus e cinemas os resultados seriam melhores. Os primeiros resultados e o diagnóstico do ensino no Paraná : Nas duas primeiras etapas da realização da Prova Paraná 1,2 milhões de estudantes realizaram a prova nas 398 cidades do Paraná. Os piores resultados foram no ensino médio, na disciplina de matemática, onde houve uma média de acertos de 28,5% das questões, menos de um terço da prova. A aluna Giovanna Hainnik, do 2° ano ensino médio da Escola da Polícia Militar discorda da efetividade da prova “ eu me preparo para o vestibular de medicina, ano passado fiz 8 vestibulares e a prova de treineiro do Enem, fiquei 21° primeiro lugar na lista da UEM, porém nessa prova eu fui muito mal, a prova estava cheia de erros e eu me senti burra”. Declara a estudante. O professor Hermes Leão afirma que a Prova Paraná não considera a capacidade dos professores em produzir suas próprias avaliações e falta com respeito com a autonomia dos professores e da escola e com tempo de aprendizagem de cada estudante. Depois dos resultados das primeiras fases e com a imposição Tutorias Pedagógicas – ação desenvolvida pela SEED, técnicos dos Núcleos Regionais de Educação (NREs) vão semanalmente às escolas, com objetivo de implementar ações de melhoria na aprendizagem, auxiliar os projetos pedagógicos, combater os indicies de reprovação e abandono escolar. Porém o depoimento da categoria de professores afirma que o objetivo está sendo diferente. “ As tutorias vão as escolas semanalmente e temos recebido denúncias de professores de que esses tutores têm cumprido mais o papel de vigilância do que orientação. Aparecem com uma lista de tarefas que todos devem cumprir”. Afirma Hermes Leão, presidente da APP sindicato. Ainda segundo o professor, a expectativa das escolas era de que esses profissionais ajudariam na solução de problemas e não o controle sobre as aulas, conteúdos ministrados, cobrança da melhoria de notas e redução da falta de estudantes. “Esperávamos um processo que avaliasse os problemas das escolas, o sistema educacional como um todo, esperávamos que esses profissionais ajudassem na resolução dos problemas que tanto angustiam as escolas e não se tornassem mais um problema”. Afirma Leão. Para Gabriela Goncherosvki Borges, estudante do 3° ano da escola estadual Benedicto João Cordeiro e Diretora de Relações Institucionais da União Paranaense de Estudantes Secundaristas (UPES), a prova não reflete a situação de aprendizagem dos alunos “Quem faz a Prova Paraná não conhece o cotidiano das aulas do estado, o Governo quer saber do nosso conhecimento e do trabalho dos professores sem ir até a sala de aula para saber o que está acontecendo”. Frisa a estudante. A diretora da UPES também afirma que as etapas não levam em conta o cronograma anual da escola “A prova de março cobrou conteúdo que só aprendemos em agosto, não é justo com estudantes nem com os professores".


Por Raíssa Melo.

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