• Redação UPES

UM GRITO DE SOCORRO - GREVE DE FOME DOS PROFESSORES

O que os levou a adotar essa medida? O que estão reivindicando?

Foto: Facebook da APP-Sindicato


Recentemente alguns trabalhadores públicos tomaram medidas extremas como forma de tentar solucionar um problema que está acontecendo há muito tempo no setor da educação. No dia 19 de novembro, 47 defensores da educação ocuparam o prédio da Assembleia Legislativa para tentar encontrar o apoio dos deputados para que pressionassem o governo a revogar o edital 47/2020, mas infelizmente não foram ouvidos e a justiça determinou que deixassem o local.

Sem desistir de sua luta, os educadores acamparam em frente ao Palácio Iguaçu durante 8 dias, onde promoveram atos tentando alcançar a comoção das pessoas em relação aos docentes. A situação se encontrava complicada, e ninguém queria ouvir os manifestantes, o que os levou a fazer uma greve de fome.

A greve foi a forma que os profissionais da educação encontraram de reivindicar alguns direitos que parece que o Estado esqueceu que eles tem. Nos últimos anos vivemos a precarização da escola pública. Não é novidade que nos encontramos em uma pandemia e mesmo assim o Estado decide por a vida de milhares de professores em risco.

Ao aplicar uma prova destinada a mais de 40 mil inscritos, eles cometem um descaso com a vida destas pessoas que vão se expor a um vírus que pode ser letal e muitos mesmo passando na tal prova, não serão contratados. Enquanto os professores batalhavam, a mídia pouca atenção deu, fazendo com que todos esses esforços fossem facilmente ignorados.

O aumento da desigualdade social com o desmantelamento da escola pública, gratuita e de boa qualidade e o criminoso corte dos recursos destinados às universidades públicas, à pesquisa, ao ensino e à inovação foram outros motivos pelos quais eles se viram obrigados a se manifestar. A educação não é algo em que se pode economizar. Quando a educação e os professores são tratados com descaso, a qualidade de ensino cai e os estudantes são prejudicados.

Quanto piores forem as condições de trabalho do professor, menor será a qualidade do serviço entregue ao público. Alguns profissionais da saúde que acompanharam a manifestação pacífica apontaram como isso poderia ser prejudicial para a saúde dos trabalhadores públicos, porque ao não se alimentar por mais de 170 horas os riscos de infecção crescem e isso faz com que as condições de vulnerabilidade ao vírus aumentem. Isso nos leva a outro ponto importante: Grupo de Risco.

A prova que será realizada para os professores terá parte dos profissionais selecionados no PSS como substitutos dos professores do grupo de risco da Covid-19 que não tenham possibilidade de atuar presencialmente no ano de 2021. O processo seletivo estará aberto para todos os profissionais, inclusive para aqueles que são do grupo de risco que quiserem se candidatar, sem nenhuma segurança para o candidato.

O profissional do grupo de risco terá sua classificação mantida e será convocado para as aulas assim que a situação emergencial da pandemia acabar, afirma o governo. Até quando a vida dos professores será tão desvalorizada?

Outro motivo pelo qual os professores lutaram foi contra a militarização nas escolas (conferir https://www.upespr.org.br/post/programa-civico-militar-no-estado-do-parana). A militarização nas escolas públicas faz com que os alunos aprendam a se calar e obedecer, enquanto as escolas da elite estimulam seus alunos a aprender cada vez mais.

Se compararmos os métodos de ensino entre as escolas privadas e as públicas percebemos a desigualdade social presente e como o estado não faz nada para mudar a situação. Por quanto tempo obrigarão os professores a se contentar com pouco? A luta pela justiça continua e nossos professores precisam de apoio.





Sobre a autora: Ana Victoria (NaVick) estuda no Colégio Estadual do Paraná e mora em Rio Branco do Sul. Tem um grande amor pela história e pelo jornalismo. Ama escrever e acredita em um mundo melhor, onde há esperança e a verdade está sempre presente.






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