• Redação UPES

Vidas Negras Importam!


Por Sarah Pereira/ Redação UPES



‘’Não consigo respirar’’

8 minutos e 46 segundos.

‘’Por favor, por favor, por favor’’

8 minutos e 46 segundos.

‘’Mãe… Não consigo respirar’’

8 minutos e 46 segundos.

George Floyd (1974 - 2020)


George Floyd; pai, irmão, amigo, filho, companheiro, ser humano. George Floyd, homem preto de 46 anos foi assassinado no dia 25 de maio de 2020, em Minneapolis - EUA, pelo até então policial Derek Chauvin, homem branco. Floyd foi acusado por uso de dinheiro falso na compra de um maço de cigarro e detido brutalmente, sem provas da acusação, por policiais brancos, os mesmos imobilizaram Floyd, o algemaram e o jogaram no chão. Feito isso, o policial Chauvin se colocou sobre Floyd, que não havia resistido momento algum aos policiais, colocou seu joelho entre a cabeça e o pescoço do mesmo e se manteve assim, durante 8 minutos e 46 segundos, ignorando todas as alegações de Floyd sobre não estar conseguindo respirar. Assim, asfixiando George e o levando à morte.


‘’Eu não consigo respirar...’’


Pensamos e pensamos sobre o que dizer sobre desumana situação; analisamos, estudamos, tentamos entender ao máximo como, ou por que isso continua a acontecer, como e por que indivíduos pretos continuam sendo assassinados diariamente de maneiras brutais. E, bom, palavras não podemos encontrar. Palavras não são o suficiente para descrever tamanha crueldade, tamanha frustração, tamanho horror e tamanha raiva que sentimos ao receber trágica notícia.


Mais um homem preto morto pelas mãos de uma polícia racista, gerada por um estrutura racista, gerada por estatais racistas, gerada por uma história racista. Mais um homem preto morto pela verme que é o racismo no mundo. Mais um homem preto morto brutalmente, sem clemência, sem chance de ser diferente, sem culpa alguma, sem OPORTUNIDADE.


Mais um preto morto.


O assassinato de Floyd é só mais um exemplo de como pretos e pretas são tratados diariamente na sociedade, como são abordados semanalmente e tratados como animais raivosos. Ao contrário do que o mito da democracia racial, moldado pelo estado e seus governantes supremacistas, faz parecer, NÃO TEMOS IGUALDADE RACIAL NO MUNDO. NÃO ESTAMOS LIVRES DO RACISMO. PRETOS AINDA SÃO MARGINALIZADOS E DISCRIMINADOS DIARIAMENTE. A maior parte das universidades é branca, a maior parte da linha de médicos é branca, a maior parte da linha de advogados é branca, a maior parte da linha de artistas é branca. A maior parte de tudo aquilo que não é marginalizado é branca. Enquanto isso, a maior parte da favela é preta, a maior parte dos assassinatos cometidos por policiais é de indivíduos pretos, a classe que mais sofre com a desigualdade social é preta.


CHEGA!


George Floyd marcou. Marcou como Tupac, como Martin Luther King, como os Panteras Negras. George Floyd foi o marco de partida para o início de algo jamais visto. George Floyd, em seu último suspiro, quebrou o último grilhão.


George Floyd, João Pedro, Agatha, Marielle, e outros múltiplos irmãos da cor preta foram vítimas de um sistema racista.


Mas o povo preto grita: CHEGA. MAIS NENHUM DE NÓS IRÁ MORRER.


O assassinato brutal de Floyd deu início à uma marcha antirracista explosiva, uma marcha que não se via há anos. Uma marcha forte, com união, com à força de uma nação e um objetivo claro: FIM AO RACISMO. FIM À EXPLORAÇÃO RACIAL QUE PERMANECEU MESMO APÓS A ABOLIÇÃO. À morte de Floyd levou múltiplas pessoas às ruas, para manifestações em luta contra à violência policial com pessoas negras, em pedido de justiça pelo assassinato de Floyd e de todos os negros já mortos, e principalmente, em prol do fim do racismo eminente.


Guiadas pela campanha ‘’Vidas Negras Importam’’, as manifestações começaram um dia após à morte de George, em Minneapolis, e se espalharam rapidamente por todo o país e fora; Memphis, Los Angeles, Toronto, Londres, Berlim, Califórnia, Brasil. Os atos seguem em uma divisão pacífica e outra não pacífica; os manifestantes estão na luta há mais de 8 dias; indo às ruas com uma movimentação em massa e bem reforçada. Durante as manifestações, uma delegacia de polícia foi incendiada, juntamente com carros de polícia e outros objetos, lojas de alto escalão foram saqueadas e tiveram suas vidraças quebradas ou grafitadas, e confronto direto com a polícia foi registrado. Os manifestantes clamam justiça pela morte de Floyd e pedem para que os culpados sejam responsabilizados. À polícia, em maioria, bate de frente com os manifestantes, com atitudes totalmente agressivas e inadequadas; uma criança negra foi baleada por um policial em meio à um ato e mais de 1000 pessoas foram presas durante 9 dias de manifestações. Representantes governamentais se dividem em apoio e contra as manifestações, e Donald Trump, presidente do Estados Unidos, ameaça acionar à Lei da insurreição, lei essa que autoriza o uso da força militar para o combate às manifestações, uma vez que as mesmas venham à ser classificadas como: desordem, insurreição e rebelião.


Vejamos: as manifestações contra o racismo são uma rebelião?


Não, elas não são! Elas são gritos de socorro, gritos de agonia e medo, elas são à representação de marcas cruéis que o povo preto carrega desde o início de sua história. As manifestações anti-racismo são um pedido de justiça; por George Floyd e por todo o povo preto.


Então, estamos aqui, unidos e prontos. Estamos de frente pronta para combater o racismo que estrutura nossa sociedade. Paramos de falar e falar, estamos agindo!


Pois, como diz a filósofa ativista Angela Davis; Numa sociedade racista não basta não ser racista, é necessário ser antirracista.



Sobre a autora: Sarah S. Pereira é estudante de Técnico em Análises Químicas integrado ao ensino médio pelo IFPR - Campus Cascavel, ativista e artista, é Diretora de Pretas e Pretos da UJS - Cascavel, conduz a luta negra na cidade. Pretende prestar vestibular para Artes Cênicas no próximo ano. Ama o teatro, escrever, ler, animais, plantas, café e nas horas vagas um rolêzinho com os amigos.


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